Este Verão levámos um grupo de 24 earlybirds ao Vietname e foi, talvez, o nosso programa mais desafiante. Para nós, líderes (eu, a São e o Ting) – que durante 2 semanas demos amparo e ralhetes a duas dúzias de jovens cheios de energia e vontade de voar -, mas, sobretudo, para eles.

Os desafios para os nossos jovens foram muitos, mas centraram-se, sobretudo, em dois aspetos: a participação num projeto de voluntariado especialmente duro do ponto de vista físico e uma profunda imersão num país e numa cultura totalmente diferente da nossa.

O voluntariado, desta vez, consistiu exclusivamente em trabalho de construção e manutenção. Num país em que uma percentagem enorme da população trabalha na agricultura, numa zona rural (Mai Chau) em que quase todos os adultos estão, direta ou indiretamente, dependentes do cultivo de arroz, estivemos onde fazíamos mais falta: a limpar um canal de drenagem de água e a ajudar a construir os alicerces para um sistema de irrigação. Em ambos os casos, para fazer chegar a preciosa água aos campos de arroz.

O trabalho (tirar terra com pás, carregar areia, fazer cimento, encher as bases dos alicerces) foi duro e executado sob condições climatéricas difíceis: no primeiro dia, debaixo de uma chuva incessante, nos restantes, sob um sol fortíssimo e uma humidade oprimente.

Ao longo da semana em que durou a participação no projeto alguns earlybirds sentiram certamente cansaço, frustração e vontade de fugir. Mas, também, e sobretudo, uma grande vontade de trabalhar, de ajudar, de resistir, de andar para a frente e fazer mais. O que nós testemunhámos foi, em cada um deles (dentro do seu perfil e com as suas limitações individuais), um incrível exercício de sacrifício e resiliência, uma enorme capacidade de trabalho e um brio gigante. Enquanto grupo, vimos crescer de dia para dia o espírito de equipa e a coesão.

Tivemos, naqueles dias, “sangue, suor e lágrimas”, muito calor e muita lama, mas também, e acima de tudo, alegria, orgulho, união e uma enorme superação, individual e coletiva. Foi uma emoção para eles e um enorme orgulho para nós!

O outro grande desafio passou pela adaptação ao país. O clima duro, a gastronomia (deliciosa para palatos mais experientes, mas que suscitou algumas reservas a jovens ainda pouco versáteis), a barreira linguística (sobretudo em Mai Chau, onde praticamente ninguém fala inglês), as diferenças culturais (que obrigaram a refrear alguns comportamentos para nós comuns), tudo constituiu uma prova difícil e uma grande lição. Com mais ou menos dificuldade, foram dia a dia melhorando a sua capacidade de adaptação e reforçando a sensibilidade cultural.

Por tudo isto, esta viagem foi, provavelmente, o mais longe da sua zona de conforto a que cada um dos participantes já chegou.

E não foi por acaso. Foi precisamente isso que lhes quisemos proporcionar: uma experiência “radical” que puxasse por eles, que os desafiasse, que os estimulasse a superarem-se, que os convidasse a experimentar a difícil e fascinante diversidade que o Mundo nos oferece. 

Para nós, que tivemos o privilégio de acompanhar estes 24 voos, foi uma experiência fantástica que jamais esqueceremos. Duas coisas foram especialmente comoventes: 1) O incrível espírito de grupo com que chegaram ao fim, fruto de muito trabalho de equipa e de uma enorme cumplicidade forjada entre os desafios comuns; 2) O total empenho de cada um deles, sem exceção, em todas as atividades que realizámos, que foi muito para além do que poderíamos antever e uma grande lição para muita gente grande; ainda hoje custa acreditar que tivemos miúdas magricelas a carregar cimento debaixo de um sol tórrido e rapagões cheios de músculo a participar em danças tradicionais e a fazer olaria com grande empenho.

Foi preciso uma grande capacidade de trabalho, de adaptação, de superação e de união de que todos se devem orgulhar para sempre.

Porque são estes desafios que vos fazem crescer, nunca se esqueçam, miúdos:

If it doesn’t challenge you, it doesn’t change you.” (Fred DeVito).

Catarina Anastácio