Hoje é o Dia Internacional do Voluntariado e acordei com a memória dos dois últimos verões, em que tive o privilégio de acompanhar dois grupos de jovens (e de preparar a ida de um terceiro grupo) nessa maravilhosa aventura que é o voluntariado internacional.

O voluntariado – ou pelo menos, aquele voluntariado em que me revejo (estruturado, sustentado, responsável) – é uma fórmula mágica. Entre as trocas, as partilhas e a comunhão constante, não se sabe bem quem dá e quem recebe, e no fim todos ganham.

O voluntariado internacional tem a particularidade de nos catapultar muito para além da nossa zona de conforto. Enfrentamos barreiras culturais, linguísticas, sociais e logísticas, deparamo-nos com a ignorância e o preconceito próprio e alheio, sentimos medo. Mas também aí a magia acontece, porque aprendemos que tudo isso é muito pequeno quando comparado com a imensidão daquilo que nos une.

Vi essa magia acontecer nos dias quentes da Costa Rica e nos frios dias da Cidade do Cabo. Encontrei-a nos gestos, nos abraços, nos sorrisos e no fascínio dos miúdos que lá estavam e dos que levei comigo.

Estes últimos, sei que trouxeram consigo alegria, memórias e saudades. Sei que deram uns passos mais no caminho do crescimento saudável e solidário, que são hoje mais autónomos, mais responsáveis e, sobretudo, mais empáticos e mais atentos. Trabalharam, ajudaram, meteram a mão na massa. Aprenderam e refletiram sobre questões de desenvolvimento, de direitos humanos, de justiça social, e sentiram em primeira mão os seus reflexos práticos.

Sei, também, que reconheceram o quão privilegiados são, e o quanto devem ser responsáveis, humildes e gratos.

E tenho a certeza que nunca mais se esquecerão que é magia o que acontece quando, ao darmos, tanto recebemos!

Catarina Anastácio